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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Orando como Jesus ensinou





ORANDO COM JESUS
Quando os discípulos perguntaram como deveriam orar, Jesus iniciou a resposta dizendo: “Quando orardes…” (Mateus 6.5), presumindo que eles tivessem um período regular para orar.
Eis uma grande pressuposição a respeito dos discípulos de Jesus hoje. A maioria afirma que não tem tempo para a oração diária. Desejamos que a oração se torne parte vital de nossas vidas? Quando queremos nos desenvolver em qualquer outra área: piano, esportes, condicionamento físico, fazemos com regularidade. A equipe da American Cup da Nova Zelândia pra¬ticou intensivamente durante dois anos, seis vezes por sema¬na, oito horas por dia e atingiu um nível jamais alcançado no manejo de barcos a vela. Pessoas que levam a sério um projeto conseguem espaço para ele em suas agendas.
É importante separar um período regular para a oração, por¬que sem regularidade a oração jamais se tornará um hábito. Se desejamos viver na presença de Deus, devemos deixar o mun¬do de lado e nos sintonizarmos em Deus uma vez por dia, sem falhar. Precisamos deixar de lado outras preocupações e direcionar nossos pensamentos em Deus, olhar para Ele, falar com Ele, ouvi-lo, permanecer em silêncio diante dele.
Fugir de distrações
Se estabelecer um período regular de oração é importante, tam¬bém é importante um local determinado. Algumas pessoas oram em recintos públicos, reuniões sociais e às refeições para que sejam vistas e ouvidas, fingindo ser religiosas. Porém a oração, segundo Jesus, não é uma exibição para espectadores, nem uma atividade para demonstrar espiritualidade. Esqueçam este con¬ceito! Quando você orar, vá para seu quarto e feche a porta. Procure um local isolado, um escritório vazio, a garagem, onde possa ficar longe das pessoas e a sós com Deus. É aí que você poderá orar com maior eficácia.
Por que a ênfase na privacidade? Por que fechar a porta? Pri¬meiro, é óbvio, porque há uma razão prática. Um local isolado assegura um mínimo de distração e muitas pessoas acham que a distração é mortal quando se trata de entrar em comunhão com Deus. Praticamente todos os tipos de ruído: vozes, músi¬ca, telefone tocando, crianças, cachorros, pássaros, me fazem perder a concentração quando estou orando. Até mesmo o ti-que-taque do relógio consegue me prender em seu ritmo e me pego batendo o pé e cantando música country em sua cadên¬cia. Jesus sabe como nossas mentes funcionam e aconselha: “Não se preocupe em lutar contra as distrações, porque você vai acabar perdendo. Evite-as. Procure um local silencioso onde possa orar sem interrupção.”
As razões práticas são importantes para a privacidade, porém eu creio que existe uma sabedoria sutil no conselho de Jesus para orarmos em um lugar isolado. Quando este local é encon¬trado e começa a ser usado com regularidade, cria-se um ambi¬ente espiritual ao redor dele. Seu espaço de oração, mesmo que seja a lavanderia, torna-se para você o que o jardim do Getsêmani tornou-se para Jesus — uma área sagrada, o lugar em que Deus se encontra com você.
Crie um ambiente especial
Alguns casais possuem um restaurante preferido, onde vão para comemorações importantes. Gostam muito do ambiente, con¬versam com descontração e aguardam com expectativa novas oportunidades de voltar ali. É um local especial no relaciona¬mento deles.
Algumas famílias passam férias sempre no mesmo lugar, por¬que é como se estivessem em um segundo lar. Fatos importan¬tes acontecem ali, lembranças agradáveis são geradas. As famí¬lias esperam com ansiedade pelas férias.
De modo semelhante, quando você cria um local secreto onde pode orar de verdade, com o tempo vai ficar ansioso para ir para lá. Começará a apreciar o ambiente íntimo, o aroma, os objetos conhecidos, a gostar do ambiente espiritual onde você conversa livremente com Deus.
Eu arrumei um espaço assim em um canto do meu antigo escritório. Deixei ali uma Bíblia aberta, uma tabuleta onde se lê “Deus é poderoso”, uma coroa de espinhos para me lembrar do Salvador sofredor e um cajado de pastor que muitas vezes uso enquanto apresento minhas petições.
Aquele canto do escritório tornou-se um lugar sagrado para mim. Eu chegava às seis horas da manhã, quando ainda não havia ninguém, o telefone não tocava, então conversava inti¬mamente com o Senhor. Derramava meu coração diante dele, adorava-o, orava pelos membros da minha congregação e rece¬bia respostas extraordinárias de oração.
Meu escritório mudou de endereço e agora tenho um canto novo de oração. Guardo, porém, lembranças calorosas do anti¬go, não porque exista algo de sagrado no canto em si, mas devido ao que aconteceu ali. Todas as manhãs, durante vários anos, eu me encontrei com o Senhor e, fielmente, Ele se encon¬trou comigo. Lembrar daquele local é como lembrar de casa. Se você quer aprender a orar, procure um lugar tranquilo, livre de distrações. Não precisa ser uma capela. Pode ser a des¬pensa, o quarto de ferramentas, o estábulo, seu escritório ou o banco da frente da caminhonete, desde que o ambiente seja silencioso e íntimo. Vá para lá na melhor hora do seu dia: de manhã, se você é uma cotovia, tarde da noite, se é uma coruja, ou no momento em que se sentir mais alerta. Encontre-se ali regularmente com o Senhor, todos os dias.
Sejamos sinceros
Jesus ensinou os discípulos a orar secretamente e, também, disse-lhes que orassem com sinceridade: Ele disse: “Não useis de vãs repetições”. Tome cuidado com chavões. Evite palavras e frases desnecessárias.
Como é fácil usar um jargão santificado quando oramos! Certas sentenças soam tão apropriadas, tão espirituais, tão piedosas, que muitas pessoas aprendem a concatená-las e chamam de oração. Nem ao menos ponderam as implicações do que estão dizendo.
Por exemplo, às vezes ouço um cristão experiente orar, com determinação: “Querido Senhor, sê comigo durante a entrevista deste novo emprego”, ou: “Por favor, me acompanhe na viagem.”
Quando se ouve pela primeira vez, o pedido parece santo. Infelizmente, não faz sentido. Sou tentado, com frequência, a perguntar a quem está orando:
- Por que você está pedindo a Deus para fazer o que Ele já está fazendo?
Em Mateus 28.20 Jesus diz: “… E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” Em Hebreus 13.5 Deus fala: “…De maneira alguma, te deixarei, nunca jamais te abandonarei.” Em João 14.18 Jesus diz aos discípulos: “Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros.” Um dos nomes de Jesus é Emanuel, que significa “Deus conosco”. Não precisamos pedir a Deus para estar conosco se somos membros de sua família. Precisamos, isto sim, orar para que tenhamos consci¬ência da presença dele e, como consequência, sejamos confi¬antes. Pedir a Deus para estar conosco quando Ele já está ao nosso lado é um tipo de “palavras vãs”.
Outro tipo de repetição sem sentido é comumente ouvida à mesa de refeições. Alguém se assenta para comer uma refeição que é um abuso nutricional. A gordura borbulha, o sal brilha, a bebida açucarada de prontidão para ajudar a engolir a “coisa”.
“Amado Senhor”, a pessoa ora, “abençoa este alimento para nossos corpos e dá-nos força e nutrição por meio dele para que possamos fazer a tua vontade”. A vontade de Deus pode ser que ela diga “amém”, saia da mesa e dê a comida ao cachorro — a menos que Deus também se importe com ele!
O apóstolo Paulo nos fala a respeito da vontade de Deus em 1 Coríntios 6.20: “…Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.” Isto significa dar alimento saudável ao corpo. Não peça a Deus para abençoar porcarias e transformá-las miraculosamente para que tenha valor nutritivo. Proceder des¬te modo é agir como um garoto de 5 a série que, depois da prova de geografia, orou: “Amado Deus, por favor, fazei com que Vitória seja capital do Amapá.”
Não é assim que Deus opera..
Ore com o coração
Deus não quer um amontoado de frases que impressionam. Não quer que usemos palavras sem refletir no significado de¬las. O que Deus deseja é que falemos com Ele como falamos com um amigo ou com o pai: com autenticidade, com reverên¬cia, com sinceridade, em particular. Certa vez, quando eu me¬nos esperava, ouvi um homem orar deste modo. Eu assistia a uma conferência da qual participavam alguns líderes cristãos de alto nível. As palestras exigiam grande con¬centração. Eu precisava me esforçar para acompanhar os te¬mas filosóficos e teológicos que eram discutidos. Na hora do almoço nos reunimos em um restaurante próximo, o Hole in the Wall. Pediram a um professor de seminário que orasse. Enquanto curvávamos as cabeças, pensei: esta oração vai ser uma aula de teologia.
0 teólogo começou a orar: “Pai, é muito bom estar vivo hoje. É muito bom estar entre os irmãos no Hole in the Wall comen¬do boa comida e conversando a respeito das coisas do Reino. Eu sei que o Senhor se encontra nesta mesa e me alegro por isto. Quero dizer-lhe, diante destes irmãos, que eu o amo, e que farei pelo Senhor tudo o que me pedir.”
Ele continuou nestes termos por mais um ou dois minutos. Quando disse “Amém”, pensei: preciso crescer mais um pouco. Sua oração sincera mostrou-me quantas vezes eu oro no piloto automático. Deus não está interessado em frases batidas. No Salmo 62.8 lê-se: “…derramai perante Ele o vosso coração…” Fale com ele. Diga: “Senhor, é assim que me sinto hoje. Estive refletindo sobre tal coisa recentemente. Estou preocupado com isto. Estou deprimido por causa disto. Estou contente com isto.”
Converse com o Pai com sinceridade.
Ore especificamente
Além de orar em particular e com sinceridade, Jesus aconse¬lhou os discípulos a orar especificamente. Ele mostrou o que Ele queria dizer dando-lhes uma oração modelo, a oração que costumamos chamar de Oração do Pai-Nosso.
A oração de Jesus inicia-se com as palavras Pai nosso. Não se esqueça jamais que, se você é filho de Deus por intermédio de Jesus Cristo, está orando a um Pai que não poderia amá-lo mais do que o ama.
A frase seguinte, que estás no céu, é um lembrete de que Deus é soberano, majestoso e onipotente. Para Ele nenhuma coisa é difícil demais. Ele é quem move montanhas, Ele é maior do que qualquer problema que você lhe apresentar. Fixe seus olhos na capacidade dele, não em seu próprio valor.
Santificado seja o teu nome. Não permita que suas orações se transformem em uma lista de pedidos para Papai Noel. Adore e louve a Deus quando em oração.
Venha o teu reino, faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu. Submeta sua vontade a Deus. Coloque a vontade dele em primeiro lugar na sua vida: casamento, família, carreira, ministério, finanças, corpo, relacionamentos, igreja.
O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. O apóstolo Paulo escre¬veu: “em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de gra¬ças” (Filipenses 4.6). Apresente a Deus todas as suas preocu¬pações, grandes ou pequenas. Se você precisa de um milagre, peça sem recuar.
E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoa¬do aos nossos devedores. Certifique-se de que você não é o obstá¬culo: confesse seus pecados, receba perdão e comece a crescer. Viva com um espírito perdoador em relação aos outros.
E não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal. Ore por proteção contra o mal e vitória sobre a tentação.
Pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Termine sua oração com mais louvor. Reconheça que tudo o que existe no céu e na terra pertence a Deus. Agradeça ao Senhor pelo cuida¬do que tem com você, por dar-lhe a possibilidade de falar com Ele por intermédio da oração.
Amém. Assim seja.
Orações que honram a Deus não são apenas listas de com¬pras. São muito mais do que gritos por auxílio, força, misericórdia e milagres. A oração autêntica deve incluir louvor: “Pai nosso, que estás no céu, santificado seja o teu nome” (Mateus 6.9). Deve incluir submissão: “… faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” (v.10). Pedidos podem ser feitos: “o pão nosso de cada dia dá-nos hoje” (v.ll); como, também, confis¬sões: “e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores” (v.12).
A oração do Pai-Nosso é um excelente modelo, porém seu objetivo não era tornar-se uma fórmula mágica para atrair a atenção de Deus. Jesus não deixou esta oração para ser recita¬da; na verdade, Ele até admoestou quanto ao uso de frases repetitivas. O modelo que nos deu é apenas uma sugestão da variedade de elementos que devem ser incluídos em nossas orações.
Refletir sobre seu tempo com Deus
O problema com as fórmulas mágicas é que elas não exigem atenção. Com frequência nós passamos pela vida sem refletir no que estamos fazendo e no significado das coisas. Se aborda¬mos a oração impensadamente, não podemos esperar resulta¬dos poderosos.
Fui capelão do Chicago Bears. Todas as segundas-feiras du¬rante a temporada eu liderava um estudo bíblico no Halas Hall. Quando chegava um pouco mais cedo, eu ouvia os treinadores trabalhando com o time. Espantava-me como Mike Ditka e os outros técnicos repetiam as jogadas individuais do jogo do dia anterior. Antes de começarem a se preparar para o jogo seguin¬te, o time precisava refletir a respeito do que havia acabado de jogar.
Na mesma época eu estava lendo autores cristãos que diziam que se os seguidores de Cristo não crescem é porque não têm o hábito de avaliar suas vidas. Aqueles autores descreviam a mim. Eu estava andando depressa, sempre buscando algo, mas sem analisar meu interior. Jamais fiz aquele tipo de reflexão que leva ao crescimento. Estava pagando o preço, cometendo os mesmos pecados vezes sem conta, vivendo com a mesma pe¬sada carga de culpa.
Assim, tomei uma decisão difícil. Resolvi que, a cada dia, eu tentaria avaliar com honestidade o estado da minha alma. Olha¬ria para dentro de mim mesmo e procuraria anotar o que eu visse. Sentindo-me constrangido e envergonhado, peguei um caderno espiral e comecei a escrever: “Deus, eis aqui algumas frustrações que tenho na vida. Como elas não vão embora, vou analisá-las.” Ou: “Estou preocupado com este relacionamento. Ele não vai bem e não sei como melhorá-lo.” Ou: “Eis aqui algumas bênçãos que o Senhor tem derramado em minha vida”. Depois de escrever um parágrafo ou dois, eu refletia sobre o que havia anotado.
Acima de tudo, ore!
Já se passaram quase 15 anos desde que comecei a anotar re¬flexões sobre o meu dia. Em pouco tempo passei a escrever minha oração e a lê-la para Deus. Tenho sido abençoado de muitas maneiras por haver me disciplinado. Ajuda a me con¬centrar. Eu não ia muito além de “Querido Deus” e meu pensa¬mento desviava-se para a pessoa com quem ia me encontrar na hora do almoço, para a reunião de diretoria, para o que minha família iria fazer depois do jantar. Quando estou escrevendo, é bem mais fácil manter a direção. Escrever também me obriga a ser específico; generalidades não ficam bem no papel. Ajuda-me a ver quando Deus responde as orações.
Ao final de cada mês eu leio meu diário de oração e vejo onde Deus operou milagres. Sempre que minha fé enfraquece, pego meu diário e contemplo provas de que Deus está respondendo as minhas orações. Se sou capaz de listar algumas respostas a orações específicas de janeiro, sinto-me mais preparado para confiar em Deus em fevereiro.
Escrevo minhas orações todos os dias; não tenho sido capaz de crescer em minha vida de oração de outra maneira. Experi¬mente e veja o que funciona melhor para você. Experimente, no princípio, anotar suas orações uma vez por semana. Se você achar que ajuda, aumente a frequência. Caso não seja seu esti¬lo e o aborreça, descubra outro jeito que seja mais eficiente para você.
Qualquer que seja a disciplina escolhida para auxiliá-lo, pra-tique-a orando como Jesus ensinou. Torne suas orações regula¬res, particulares, sinceras e específicas.
Lembre-se de que o poder prevalecente de Deus é liberado por intermédio da oração. Ele está interessado em você e em suas necessidades. É poderoso para satisfazer qualquer neces¬sidade e o está convidando para orar. O Filho dele, Jesus, o especialista em oração, deixou instruções para que você saiba como orar.
Para que o milagre da oração comece a operar em nossas vidas precisamos fazer somente uma coisa: orar. Eu posso es¬crever sobre oração, você pode ler a respeito e até emprestar meu livro a um amigo. Mais cedo ou mais tarde, porém, temos que orar. Então, e só então, começaremos a viver momento a momento na presença de Deus.
Fonte: OCUPADOS DEMAIS PARA DEIXAR DE ORAR, Cap. 5, Bill Hybels

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Ensino para adultos

Como potencializar e dinamizar o ensino para adultos
INTRODUÇÃO
O que significa potencializar e dinamizar o ensino? A natureza do ensino não é dinâmica em si mesmo? Haveria algo a fazer que o tornasse mais interessante?
Tornar o ensino potente e dinâmico significa atribuir-lhe força para produzir ou transformar alguma coisa. No âmbito da educação significa modificar o comportamento na maneira de pensar, sentir e agir.
O ensino deve ser atuante, vibrante e instigador. Ensinar não significa simplesmente transmitir conhecimentos, como se a mente do aluno fosse um insignificante receptáculo do conhecimento alheio, ou uma folha em branco, na qual o professor poderia gravar o que desejasse. Muitos professores acham que é dever comunicar o máximo do que eles sabem aos alunos, na forma melhor estruturada possível, mesmo sem medir ou avaliar o resultado, em termos de quantidade e qualidade de conteúdo assimilado. Ensinar entretanto, não é somente transmitir, não é somente transferir conhecimentos de uma cabeça a outra, não é somente comunicar. Ensinar é fazer pensar; é ajudar o aluno a criar novos hábitos de pensamento e de ação. Isto não significa que a exposição da aula não deva ter estrutura alguma, ou que seja melhor o professor ser um mal comunicador. Significa, sim, que a estrutura da exposição deve conduzir ao raciocínio e não a absorção passiva de idéias e informações do professor.
O ensino pode ser potencializado, direcionado e adaptado a qualquer faixa-etária. Porém, sua adequação baseia-se sempre no conhecimento das particularidades de cada fase da vida humana.
Quem é o adulto? Quais são suas necessidades, interesses e expectativas?
Estas e tantas outras interrogações sobre as peculiaridades dos adultos devem ser respondidas e refletidas por todos quantos se engajam no magistério específico para a denominada “idade vigorosa”.
Segundo o dicionarista Aurélio, o termo “adulto” diz respeito ao “indivíduo que atingiu o completo desenvolvimento e chegou à idade vigorosa; que atingiu a maioridade.”
No âmbito psicológico diz-se do “indivíduo que atingiu plena maturidade, expressa em termos de adequada integração social e adequado controle das funções intelectuais e emocionais.”
Além dos aspectos físicos e psicológicos, podemos também observá-lo pelo prisma social e espiritual. A maioria dos adultos está estabilizada na área financeira, familiar e social. Buscam coisas concretas e reais. Suas expectativas estão calcadas e fundamentadas em aspectos reais da vida. Época da mais completa manifestação da vida; tempo de grande produtividade, período em que se manifesta a maior capacidade de discernimento; sérias responsabilidades, amizades estáveis, grande ambição e força de vontade. Também de comodismo espiritual, no sentido de imaginar que já sabem tudo que diz respeito as coisas espirituais. Como atingi-los com o ensino bíblico? Como motivá-los ao estudo da Palavra? Como reverter o quadro de estagnação e rotina?
Para melhorarmos a qualidade do ensino ajustado aos adultos, precisamos conhecer suas necessidades, preferências, expectativas e, principalmente, de que modo se disponibilizam à aprendizagem. Vejamos:
O adulto precisa envolver-se totalmente no processo ensino-aprendizagem
Qualquer tempo gasto sem que o aluno esteja profundamente envolvido na lição é tempo perdido. O que se pensa, geralmente, é que somente as classes infantis e de adolescentes necessitam de elementos incentivadores para captar e cativar a atenção dos alunos para o estudo. Esse pensamento não traduz a verdade no âmbito da prática docente. Muitos recursos educativos normalmente aplicados à infância e à adolescência, podem ser potencializados e redimensionados para o ensino de adultos. Temos que fazer o aluno envolver-se na lição. Torná-los cooperadores engajados na aprendizagem.
A participação ativa dos alunos constitui fator essencial à aquisição e principalmente a retenção do conteúdo da lição. O professor deve "abrir espaço" para seus alunos contarem suas próprias experiências relacionadas aos aspectos essenciais da lição.
Todo ensino tem de ser ativo, e toda aprendizagem não pode deixar de ser ativa, pois ela somente se efetiva pelo esforço pessoal do aprendiz, visto que ninguém pode aprender por alguém. O professor deve solicitar, quer no início, quer no decurso de qualquer aula, a opinião, a colaboração, a iniciativa, o trabalho do próprio aluno.
O adulto também requer métodos flexíveis e variados
Não devemos tornar nossos métodos tão rígidos a ponto de não admitirmos meios de comunicação mais práticos e flexíveis. Por exemplo, o método de preleção ou exposição oral, embora muito criticado, é o preferido, principalmente pelos professores de adultos. Neste método, o professor fala o tempo todo e as vezes responde algumas poucas perguntas. Dentre as desvantagens do uso exclusivo deste método, destacam-se duas: primeira, a preleção “centraliza o ensino na figura do professor, exigindo pouco ou nenhum preparo da lição por parte dos alunos”. Segunda, este método, “não permite que o professor dê atenção especial a todos os alunos, obrigando-o, em alguns casos, a nivelar a aula, por mera suposição.” (Como tornar o ensino eficaz, CPAD)
Precisamos diversificar nossos métodos e adequá-los eficientemente às novas circunstâncias. Ou seja, mudar a maneira de comunicar uma verdade sem alterá-la.
Um dos maiores problemas do ensino nas Escolas Dominicais, atualmente, independente de faixa-etária, é a inadequação dos métodos de ensino. Os métodos (quando são usados) são escolhidos sem objetivar o aluno e a transformação de sua vida.
O professor deve ser criterioso ao escolher o método que irá usar em sua classe. Cada situação especifica requer um método apropriado. Devem ser avaliadas todas as vantagens e desvantagens antes de aplicá-lo.
O professor deve adotar outros métodos e técnicas de ensino atuais tais como: debates, discussão em grupo, perguntas e respostas, dramatizações e tantas outros dinamizadores do ensino.
O adulto também precisa de novidades
O professor deve cultivar sempre o senso de “novidade”. Deve criar um ambiente de constante expectativa do “novo”, do atraente, da curiosidade. O adulto quer livrar-se do tédio e da monotonia. Ele deseja entrar em atividade e demonstrar que é habilidoso e criativo.
O conteúdo da revista (informações e aplicações) por mais enriquecedor e profundo que seja, não é suficiente, até mesmo em função do pouco espaço para desenvolvê-lo. Os alunos sempre esperam que o professor transmita à classe informações complementares.
O professor que simplesmente reproduz, enfadonha e rotineiramente o conteúdo da revista, sem empreender o esforço da pesquisa, está irremediavelmente fadado ao fracasso.
Muitos professores por não dominarem o conteúdo, chegam até ser intransigentes, acolhendo com olhar de desagrado a mínima participação da classe, ou interrupção de sua preleção. Temem, na verdade, que o aluno faça perguntas que não estejam atreladas direta ou indiretamente às suas idéias pré-concebidas ou estruturas mentais arrumadas. Isto evidencia, indubitavelmente, total despreparo e descuidado com o ministério de ensino. “O professor deve conhecer muito bem o assunto que está ensinando. Um fraco domínio do conteúdo resulta num ensino deficiente” (John Milton Gregory).
A Palavra de Deus diz que aqueles que possuem o dom de ensinar devem esmerar-se em fazê-lo: “...se é ensinar, haja dedicação ao ensino” (Rm 12.7b).
O adulto rejeita a improvisação
Outra questão relevante no ensino para adultos é a famigerada comodidade, que gera a improvisação. É de se admirar o que ouvimos por aí nos “bastidores” da Educação Cristã: “Planejar aula para adultos? Que nada! É só ler a revista e reproduzir o comentário com outras palavras.”
O planejamento é imprescindível em qualquer atividade humana. Que dirá num empreendimento educacional! Pelo planejamento, o homem evita ser vencido pelas circunstâncias, e aprende a aproveitar as novas oportunidades. Um bom plano de aula promove a eficiência do ensino, economiza tempo e energia, contribui para a realização dos objetivos visados e, acima de tudo, evita a corroedora rotina e a improvisação. Todo o planejamento se concretiza em um programa de ação, que constitui um roteiro seguro que conduz progressivamente os alunos aos resultados desejados.
Antes de planejar sua aula, todo professor deveria fazer a si mesmo as seguintes perguntas: Qual a melhor maneira de introduzir esta aula? Como posso transmitir o conteúdo desta lição de maneira atraente e interessante? Que tipo de aplicação seria mais eficaz para esta aula? Como concluir essa lição eficazmente a ponto de suscitar no meu aluno o desejo de retornar a aula no próximo Domingo?
O adulto precisa ser incentivado
Antes de iniciar a lição, o professor deve propiciar a seus alunos boas razões para continuarem assistindo suas aulas. Contar antes uma história interessante, uma ilustração curiosa, uma notícia de última hora ou uma experiência vivenciada por ele mesmo, constituem excelentes formas de incentivar o aluno.
Ao escolher o elemento incentivador, o professor deve sempre levar em conta os interesses reais de seus alunos. Quais são as coisas que mais lhes interessam? Sobre que gostam de falar?
Às vezes é bom usar algum acontecimento do momento como ilustração, e assim relacionar a lição com eventos e atividades que estejam interessando os alunos na ocasião.
Qualquer que seja essa incentivação, ela deve conduzir o pensamento, de maneira lógica e fácil, para a lição propriamente dita, relacionando o assunto à aspectos reais da vida.
O relato de um acontecimento; a leitura de um texto paralelo da Bíblia; citações de outros comentaristas; apresentação de uma gravura, objeto etc. Estes são alguns dos variados recursos de que o professor de adultos pode dispor para vivificar o ensino e a aprendizagem, mediante sua aproximação com a realidade e com a atualidade.
Na verdade, o professor não motiva, ele pode apenas incentivar, embora a incentivação só seja eficiente se repercutir no aluno a ponto de criar ou dinamizar motivos; ele apenas pode incentivar a aprendizagem, isto é, fornecer estímulos que despertam, no aluno, um ou vários motivos. Em outras palavras, o aluno pode ficar motivado para o estudo a partir de incentivos do professor. Exemplo: O professor leva para a sala de aula recortes de revistas e jornais com notícias atuais com o objetivo de ilustrar ou elucidar um fato histórico da Bíblia.
O adulto precisa ser compreendido, respeitado e valorizado
O professor deve ouvir e dialogar com seus alunos, levantando as suas necessidades, procurando atendê-las dentro do possível, dedicando-lhes tempo fora da classe da Escola Dominical.
Há professores que se colocam num pedestal julgando-se “donos do saber”. Tais professores esquecem que seus alunos, independente da “escolarização”, possuem experiências de vida dignas de serem compartilhadas. O conhecimento que possuem, embora, às vezes assistemático, constitui matéria indispensável para o enriquecimento do conteúdo da aula.
O professor jamais pode subestimar seus alunos. Deve tratá-los com respeito, valorizando sempre suas participações e compartilhamento de idéias. Todo o professor deve conhecer e praticar o princípio do respeito e igualdade. Quando o aluno percebe que seu professor o respeita, sente-se aceito e desenvolve um relacionamento de respeito e admiração com aquele professor. Vendo-se no mesmo nível de igualdade que ele, o aluno expressa-se com mais facilidade, fica à vontade para expor suas dúvidas, fazer perguntas e conversar sobre suas idéias. Sente-se valorizado. Ele acredita que o professor não irá censurá-lo ou constrangê-lo com julgamentos sobre sua capacidade intelectual, mas irá ajudá-lo a se expressar melhor.
O adulto precisa sentir que faz parte de um grupo
Dentre as muitas funções do professor, destaca-se a de “socializador”. Inclusive, a própria educação e o ensino são fenômenos de interação psicológica e comunicação social. O professor de temperamento egocêntrico, fechado, incapaz de manter contatos sociais com certo entusiasmo, não está talhado para as funções do magistério cristão; estas, além do “amor paedagogicus” e genuína espiritualidade, exigem comunicabilidade, interesse e dedicação à pessoa dos educandos e aos seus problemas.
A possibilidade de uma pessoa relacionar-se bem com a sua família ou com um grupo de amigos lhe dá segurança, ajuda a combater a solidão e favorece o crescimento espiritual.
Às vezes, imaginamos tendenciosamente, que os alunos da classe de adultos só precisam do conhecimento bíblico para o pronto ingresso na obra do Mestre. Olvidamos de suas carências sociais e afetivas, dificuldades de relacionamento e a necessidade de cultivar amizades sinceras.
Isto é um erro crasso! O professor deve propiciar um clima de amizade entre os alunos. Não é suficiente o contato que o professor tem com o aluno durante a aula na Escola Dominical. Ele deve proporcionar um meio-ambiente propício para um inter-relacionamento com outros crentes onde compartilham idéias, verdades aprendidas na Palavra, aspirações, e onde haja compreensão.
Observando as palavras de Paulo em Efésios 4.3 “Até que todos cheguemos...” verificamos que o meio-ambiente propício ao crescimento espiritual é encontrado no contexto da comunhão cristã.
Lecionar para adultos pode ser um interessante desafio! Depende do professor.
Ao contrário do que se pensa, lecionar para adultos pode ser um grande desafio. Basta ser criativo, dinâmico e empreendedor. Um bom professor nunca fica satisfeito com seu trabalho. Procura sempre melhorar seu desempenho. Vive na busca constante do novo, de como criar novas expectativas em seus alunos. O ensino dinâmico é aquele que provoca nos alunos uma sensação de intensa vontade de aprender.
Os adultos precisam saber que são produtivos e podem compartilhar suas idéias e experiências. Essas experiências, consideradas conteúdo dinâmico, podem até influenciar positivamente no amadurecimento de outras pessoas. Isto porque, geralmente, o adulto aprende, quando suas necessidades são satisfeitas ou quando o objeto de estudo tem significado pessoal para ele. Caso contrário, se vier a freqüentar as aulas, será, simplesmente para cumprir um protocolo eclesiástico. Ou, quem sabe, arranjar uma boa ocupação para as manhãs de domingo.
Você sente a chamada de Deus para essa obra? Reconhece a importância de sua tarefa? Esforça-se para seguir o exemplo de Jesus, o Mestre dos mestres?
Os professores da EBD são freqüentemente escolhidos pelos líderes. Será que são vocacionados? Os vocacionados têm esmero. “...se é ensinar, haja dedicação ao ensino” (Rm 12.7b). O que significa esmero? Esmero significa integralidade de tempo no ministério – estar com a mente, o coração e a vida nesse ministério. Ser professor é diferente de simplesmente ocupar o cargo de professor.
Marcos Tulerescoladominical@cpad.com.br