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domingo, 9 de setembro de 2012

O livro de Jasar (O livro dos justos) relatado na Bíblia



O Livro de Jasar e Zechariah Sitchin 

 

Josué 10:13 O sol parou, e a lua se deteve, até a nação vingar-se dos seus inimigos, como está escrito no Livro de Jasar. O sol parou no meio do céu e por quase um dia inteiro não se pôs.

2 Samuel 1:18 e ordenou que se ensinasse aos homens de Judá; é o Lamento do Arco, que foi registrado no Livro de Jasar

Têm aparecido estudiosos que estão procurando base na Bíblia para fundamentar algumas das suas doutrinas e ideologias. Um deles é Zechariah Sitchin, que pretende que a Bíblia não é mais do que uma transcrição de documentos sumerianos antigos.

Zechariah Sitchin também utiliza o pseud-Jasar, um livro que pretende ser o livro de Jasar falado na Bíblia, para apoiar as suas ideias sobre Ufologia.

Pode ler mais sobre Zechariah Sitchin neste post mais abaixo na secção D. O Livro de Jasar e Zecharia Sitchin.

Desta forma, Zecharia Sitchin pretende que o livro de Jasar (nomeado 2 vezes na Bíblia em Josué 10:13 e I I Samuel 1:18) foi encontrado. Existem 2 ou 3 livros que andam por aí pretendendo ser o Livro de Jasar nomeado na Bíblia, incluindo o pseud-Jasar.
O livro de Jasar era um anal histórico
Este livro, o pseud –Jasar, irá ser analisado neste comentário, antes de falarmos mais um pouco sobre as ideias de Zechariah Sitchin.

Mas será que este livro o pseud-Jasar ou outros que pretendem ser o Livro de Jasar, serão mesmo o tal livro de Jasar referido na Bíblia?

Vamos ver em primeiro lugar o que era o livro de Jasar.

A. O que era o livro de Jasar citado na Bíblia?

A respeito do Livro de Jasar referido nos textos da Bíblia em cima citados, se nós fizermos uma investigação honesta e científica, vemos claramente que o livro de Jasar só poderia ter sido um anal ou relatório histórico de eventos escritos pelos hebreus e que narrava eventos muito antigos antes e depois do dilúvio.

O livro de Jasar era unicamente um documento histórico que relatava eventos históricos acontecidos durante o decorrer da história antiga. Não fazia parte da revelação de Deus, que inspirou a redação de documentos como o livro de Gênesis que mais tarde se tornaram parte do “canon divino” – a Bíblia sagrada.

O Livro de Jasar não era portanto “canon sagrado” que foi utilizado para elaborar a Bíblia a Palavra de Deus, era simplesmente um relato histórico de alguns acontecimentos.

A Bíblia, além do livro de Jasar referido em Josué 10:13 e 2 Samuel 1:18, cita outro livro como por exemplo o livro de Enoque onde vemos que uma porção do livro é citada em Judas 1:14-15.

Mas acerca do pseudo-Jasar, ou seja, do livro que pretende ser o antigo livro de Jasar mencionado na Bíblia, há muitas contradições que podemos salientar.

Mas, primeiramente, podemos perguntar: que problemas causam este livro à Revelação Bíblica?

O maior problema é dizerem que este livro perdido, mas agora encontrado, devia estar incluído na Bíblia. E se assim fosse o pseud-jasar iria colocar a Bíblia em questão, pois o livro contém muitas ideais e factos que vão contra algumas doutrinas fundamentais da Bíblia

Aliás, o autor do pseud- Jasar, pretende que o seu livro devia servir para interpretar a Bíblia, sendo esta também a opinião de Zechariah Sitchin.
B. É o pseud-Jasar um livro real ou falso?


É o pseud-Jasar real ou falso?
Mas, podemos perguntar: é o pseud-Jasar um livro real ou falso, ou seja é este livro o mesmo Livro de Jasar falado na Bíblia?

É muito compreensível que alguns pensem que é impossível que este volume poderia realmente ser o livro original de Jasar. A edição foi escrita na base de diversos trabalhos feitos por Sefer conhecido Hayasher. Há uma cópia de Sefer Hayasher - o livro do Íntegro, editado e traduzido por Seymour J. Cohen. É claramente um livro que não tem nada de história, mas um texto ético que foi escrito provavelmente no 1º século.

Na introdução ele menciona outros "Livros de Jasar", alguns que já não existem, tal como Zerahiah Ha-Yevani do 1º século. É sabido igualmente ter mencionado um escrito por Rabino Jacob ben Mier do 1º século e um pelo Rabino Jonah Ben Abraham de Gerona no século XIV.

Estou a dizer que o pseud-Jasar é uma composição feita a partir de diversos livros onde se vê claramente pelo seu conteúdo que são obras muito recentes, comparados com o livro de Jasar mencionado na Bíbia, escrito a muitos milhares de anos atrás.

Alguém que esteja familiarizado com a história antiga, sabe que o livro de Jasar relata eventos de um período de tempo muito antigo, completamente diferente aos tempos do editado pseud-Jasar, que embora citando muitas narrações bíblicas, traz muitas narrativas feitas por historiadores mais recentes e convencionais.

Vê-se claramente que o pseud-Jasar é um livro forjado e falso, pretendendo ser o antigo livro de Jasar, mas denuncia-se a si mesmo por todo o material histórico recente que contém, embora misturado com narrações bíblicas antigas.

Se ler inglês pode aceder ao site em baixo, ou então pode procurar sites na língua portuguesa que falem do Livro de Jasar e do pseud-Jasar também.

http://www.utom.org/library/books/Jasher.pdf
C. Qual é o alvo dos autores do pseud-Jasar?


Qual é o alvo do pseud-Jasar?
Mas qual é o alvo dos autores do pseud-Jasar e outros livros que pretendem ter sido uma revelação que devia estar incluída na Bíblia?

Bem, o primeiro alvo é negar o conteúdo actual das doutrinas fundamentais da Bíblia, dizendo que a Bíblia devia ser interpretada à luz deste livro perdido, mas agora encontrado.

Em segundo lugar, há estudiosos que baseiam-se no pseud-Jasar para apoiarem ideias que no fundo existem para negar a veracidade de alguns acontecimentos relatados na Bíblia e da doutrina bíblica em geral.

Estas e outras ideias são extraídas de uma distorção de textos bíblicos feitas pelo livro pseud-Jasar.

O Livro de Jasar, certamente foi um livro que existiu e era um anal histórico. Mas perdeu-se no tempo, como tantos outros relatos e anais históricos.

Mas o pseud-jasar é falso. Embora pretendendo ser o livro de Jasar, denuncia-se a si mesmo pelos relatos históricos muito recentes, alguns tirados de livros conhecidos.

D. O Livro de Jasar e Zecharia Sitchin

1. A falta de credenciais de Zecharia Sitchin
A fim compreender melhor as ideias de Zecharia Sitchin, muitos peritos em questões bíblicas e científicas fizeram uma pesquisa a fundo à posição arqueológica e literária que ele reivindicou possuir e que segundo ele lhe deram uma nova compreensão e perspectiva do mundo e de Deus.

Mas ao fazerem estas pesquisas, uma das primeiras coisas que veio ao de cima era a sua falta de credenciais, em perícia ou no que diz respeito aos campos onde ele reivindicou ter adquirido tal conhecimento.

Tudo começa com a sua afirmação desproporcional e nada coerente com os factos históricos e literários, ao dizer que a Bíblia não é nada mais do que um plágio antigo do texto Sumeriano. É que além disso esta afirmação anula virtualmente o valor não só da Bíblia, mas de todas os escritos antigos que ainda restam no mundo conhecido, incluindo os escritos sumerianos, que não atestam nada disso.

Ele ao reivindicar que a Bíblia não é nada mais do que uma cópia das escrituras Sumerianas, está simplesmente a tentar estabelecer como premissa a sua pura suposição que os Nefilins são uma raça superior vinda de uma outra galáxia que usou os seus próprios genes para criar a raça humana juntanto-os ao genes do homo Erectus.
Mas esta suposição criada por Zechariah Sitchin é puramente teórica. A afirmação por Sitchin que o Nefilim eram seres extra-terrestres baseada na interpretação de uma palavra encontrada na Bíblia é fraudulenta.

Em suas palavras, Zechariah diz que: "Nefilim, o nome pelo qual aqueles seres extraordinários falados em Genesis 6:1-2, os filhos dos deuses, foram conhecidos, significa literalmente, "Aqueles que vieram dos céus".

Mas esta afirmação, não tem qualquer apoio teológico, histórico ou científico. Mas precisava de tempo para falarmos mais a fundo da verdadeira interpretação a dar a este texto bíblico. O prezado leitor pode fazê-lo utilizando alguns comentários na internet.

2. O livro de Jasar verdadeiro não apoiava o politeísmo

Pelas sondagens que fiz confirmei que Zecharia Sitchin atesta em seus livros que foi lendo o Livro de Jasar que ele tirou a ideia de que Yahewh (o Deus revelado na Bílbia) era um Deus 'sumerian'. Ele diz que Yahewh é B'nai Elohim. O Livro de Jasar é nomeado na Bíblia em duas passagens Josué 10:13 e II Samuel 10:18.

Mas claro que ele não poderia ter lido o Livro de Jasar, pois este já não existe, existem sim comentários sobre o Livro de Jasar. Ele tirou esta ideia do pseud-Jasar de que faço referência em cima, um livro que pretende ser o Livro de Jasar nomeado na Bíblia, mas como já vimos é uma compilação muito recente de alguns argumentos ufológicos misturados com alguns factos bíblicos.

Sendo um Ufologista contemporâneo, Zechariah Sitchin apresenta uma visão 'politeista' do mundo, ou seja que o mundo é governado por diversos deuses.

É por isso que utiliza muito esse texto da Bíblia em Genesis 6:2, que diz "viram os filhos dos deuses que as filhas dos homens eram formosas e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram, v4 havia naqueles dias gigantes na terra"

Há um só Deus no mundo!
Sendo este um dos textos principais da Bíblia para ele fundamentar a sua teoria, misturando ideias Ufologistas, dizendo que "os deuses vindos dos céus" um deles "Ununanki" é, segundo ele, o "Nefilim" mencionado na Bíblia, ou seja o "Yhaewh" que criou o mundo. Ele fala de outros deuses e também escreve muito sobre os gigantes na terra.

Ele liga tudo isto à Ufologia, ou seja que estes deuses são os extra-terrestes que vieram dos céus à terra e criaram a nossa raça humana, tendo isto acontecido quando os Nefilins, uma raça superior vinda de uma outra galáxia usou os seus próprios genes para criar a raça humana (o homo Sapiens) juntanto-os ao genes do homo Erectus.

Os gigantes são os 'demigods' (meios deuses) ou seja os seres que nasceram dessa união entre os deuses e os homens.

Mas, afinal, do que se pode conhecer em comentários sérios feitos sobre o livro de Jasar falado na Bíblia, é que este não tem nada a haver com o pseud- jasar, e não defendia de maneira nenhuma o politeísmo, como pretende Zecharia Sitchin. Nem faz também qualquer referência à Ufologia, ou seja, não fala de seres que vieram de outros planetas para viver no nosso planeta.

Isto veio tudo da imaginação de Zecharia Sitchin que manipulou tudo e mais alguma coisa de uma forma muito engenhosa para chegar às suas conclusões e enganar muitas pessoas.

Logo vemos por aqui que, pelo que se conhece do verdadeiro Livro de Jasar, este não apoiava de maneira nenhuma uma teoria politeista do mundo, mas falava sim de um único Deus. Aliás, toda Bíblia revela que há só um Deus e não vários deuses como defende Zecharia Sitchin. O Livro de Jasar não dizia nada sobre Ufologia também.


E. Era o livro de Jasar uma revelação divina?

Finalmente, para terminar, gostaria que ficasse bem salientado como já vimos atrás que o livro de Jasar mencionado na Bíblia não era uma revelação divina, mas sim um anal histórico. Portanto, se encontrássemos o Livro de Jasar iríamos compreender que era simplesmente um anal que relata factos históricos.

História não é revelação...

O livro de Jasar continha certamente muitos factos e nomes que foram passando de geração em geração e que Abraão e os seus descendentes devem ter guardado, como guardaram outros. Muitos desses relatos verbais ou documentos escritos chegaram às mãos de Moisés e foram certamente utilizados por Deus, quando da revelação divina feita a Moisés no Monte Sinai.

Todos os anais históricos, escritos ou verbais, de qualquer cultura antiga, que foram escritos ou simplesmente conservados verbalmente foram gradualmente passando de geração a geração, mas isto não quer dizer que tudo o que era escrito ou conservado era correcto.

Mas já não podemos dizer o mesmo da “revelação divina”, pois tudo o que foi revelado por Deus e escrito pelos profetas, viesse directamente da mente de Deus, ou Deus utilizasse anais e relatos históricos eram infalíveis.

É claro que conforme as revelações de Deus foram sendo transcritas para novos manuscritos e línguas, houve pequenas alterações, mas nada afectou o seu conteúdo fundamental. Por essa razão podemos chamar à Bíblia com toda a garantia “A Palavra de Deus”.

Aliás, o estudo da hermenêutica, que é feito de uma forma exegética e rigorosa, mostra-nos que a mensagem principal da Bíblia está intacta, apesar de milhares de anos de transcrições e traduções para novas línguas.

Repito para conlcuir: "Portanto, se encontrássemos o Livro de Jasar iríamos compreender que era simplesmente um anal que relata factos históricos e não revelação divina" 
Viriato 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O profeta Daniel




Há pelo menos três bons motivos para acreditarmos que o livro de Daniel é confiável do ponto de vista histórico e que de fato foi escrito no 6º século antes de Cristo:1) A arqueologia tem reconstruído as informações históricas do livro de Daniel. a) Toda a história desse profeta hebreu se passa na cidade de Babilônia. Os críticos da Bíblia afirmavam que se Babilônia realmente houvesse existido, não passaria de um pequeno clã. A arqueologia demonstrou o oposto. Os resultados dos estudos do arqueólogo alemão Robert Koldewey, feitos entre 1899 e 1917, provaram que Babilônia era um grande centro econômico e político no Antigo Oriente Médio na metade do 1º milênio a.C. (600 a.C.).b) Outro ponto de questionamento era sobre a existência ou não de Nabucodonosor, rei de Babilônia na época do profeta Daniel. Mais uma vez a arqueologia resolveu a questão trazendo à luz muitos tabletes que foram encontrados nas ruínas escavadas por Koldewey com o nome Nabu-Kudurru-Usur, ou seja, Nabucodonosor! Não é incrível como um tablete de 2.600 anos consegue esmiuçar teorias fundamentadas no silêncio?c) Assim como a opinião dos críticos teve que ser radicalmente mudada a respeito de Babilônia e de Nabucodonosor, o mesmo aconteceu com Belsazar, o último rei da Babilônia. Críticos modernos não concordavam com essa informação. Novamente a arqueologia refutou essa opinião. Vários tabletes cuneiformes confirmam que Nabonido, o último rei de Babilônia, deixou seu filho Bel-Shar-Usur (Belsazar) cuidando do Império enquanto ele estava em Temã, na Arábia. Você pode confirmar em Daniel 5:7 que Belsazar ofereceu para Daniel o terceiro lugar no reino, já que o pai, Nabonido, era o primeiro e ele, Belsazar, o segundo. d) Até os amigos de Daniel estão documentados nos tabletes cuneiformes da antiga Babilônia. Foi descoberto um prisma de argila, publicado em 1931, contendo o nome dos oficiais de Nabucodonosor. Três nomes nos interessam: Hanunu (Hananias), Ardi-Nabu (Abed Nego) e Mushallim-Marduk (Mesaque). Incrível! Os mesmos nomes dos companheiros de Daniel mencionados nos capítulos 1, 2 e 3 de seu livro! Um grande defensor dessa associação é o adventista e especialista em estudos orientais William Shea, em seu artigo: “Daniel 3: Extra-biblical texts and the convocation on the plain of Dura”, AUSS 20:1 [Spring, 1982] 29-52. Hoje esse artefato encontra-se no Museu de Istambul, na Turquia. Resumindo: as informações históricas do livro de Daniel são confirmadas pela arqueologia bíblica.2) Por muitos anos os defensores da composição do livro de Daniel no 2º século a.C. se valeram das palavras gregas do capítulo 3 para “confirmar” a autoria da obra no período helenístico. Essa opinião apresenta dois problemas sérios: a) Há ampla documentação do relacionamento entre os gregos e os impérios da Mesopotâmia antes mesmo do 6º século a.C. Nos registros do rei assírio Sargão II, por exemplo, fala-se sobre cativos da região da Macedônia (Cicília, Lídia, Ionia e Chipre). Se os judeus em Babilônia eram solicitados para tocar canções judaicas (Salmo 137:3), por que não imaginar o mesmo com os gregos? Um poeta grego chamado Alcaeus de Lesbos (600 a.C.) menciona que seu irmão Antimenidas estava servindo no exército de Babilônia. Logo, não nos deve causar espanto algum o fato de termos na orquestra babilônica instrumentos gregos.b) Se o livro de Daniel foi escrito durante o período de dominação grega sobre os judeus, por que há apenas três palavras gregas ao longo de todo o livro? Por que não há costumes helenísticos em nenhum dos incidentes do livro numa época em que os judeus eram fortemente influenciados pelos filósofos da Grécia? Esse fato parece negar uma data no 2º século a.C.Resumindo: o fato de existirem palavras gregas no terceiro capítulo de Daniel não prova sua composição no 2º século a.C., pelo contrário, intercâmbio cultural entre Babilônia e Grécia era comum antes mesmo do 6º século a.C. 3) Daniel foi escrito em dois idiomas: hebraico (1:1-2:4 e 8:1-12:13) e aramaico (2:4b-7:28). Diversos nomes no estudo do aramaico bíblico (Kenneth Kitchen, Gleason Archer Jr, Franz Rosenthal, por exemplo) afirmam que o aramaico usado por Daniel difere em muito do aramaico utilizado nos Manuscritos do Mar Morto que datam do 2º século a.C. Para Archer Jr., a morfologia, o vocabulário e a sintaxe do aramaico do livro de Daniel são bem mais antigos do que os textos encontrados no deserto da Judéia. Não só isso, mas que o tipo da língua que Daniel utilizou para escrever era o mesmo utilizado nas “cortes” por volta do 7º século a.C. Resumindo: o aramaico utilizado por Daniel corresponde justamente àquele utilizado em meados no 6º século a.C. nas cortes reais.Qual a relevância dessas informações para um leitor da Bíblia no século 21? Gostaria de destacar dois pontos para responder esta questão:1) Como foi demonstrado acima, Daniel escreveu seu livro muito antes do cumprimento de suas profecias. Logo, isso nos mostra a Soberania e Autoridade de Deus sobre a história da civilização. Se Deus é capaz de comandar o futuro, Ele é a única resposta para os problemas da humanidade.2) A inspiração das Escrituras. O livro de Daniel se mostrou confiável no ponto de vista histórico e, consequentemente, profético. Essa é a realidade com toda a Bíblia, que graças a descobertas de cidades, personagens e inscrições, mostra-se verdadeira para o ser humano. O livro de Daniel, longe de ser uma fraude, é um relato fidedigno. Ao escavarmos profundamente as Escrituras e estudarmos a História, podemos perceber que a Bíblia é um documento histórico confiável.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Sinais da bíblia




Os rolos foram vistos por vários estudiosos na parte posterior do ano 1947, e alguns deles confessam que na época, menosprezaram-nos como sendo falsificações. Um dos professores que reconheceram a verdadeira anti­guidade dos rolos foi o falecido Prof. Eleazar L. Sukenik da Universidade Hebraica, e ele conseguiu mais tarde comprar alguns deles. Outros rolos foram levados para a Escola Americana de Pesquisas Orientais em Jerusalém, onde o Diretor interino, Dr. John C. Trever, percebendo seu grande valor, mandou fotografar os pedaços que foram levados a ele. Uma das suas foto­grafias foi enviada ao Prof. William F. Albright, que imediatamente declarou que esta foi “a descoberta a mais importante que já tinha sido feita no assunto de manuscritos do Antigo Testamento”.Os rolos que foram comprados pela Universidade Hebraica incluíam o Rolo de Isaías da Universidade Hebraica (lQIsb), que contém uma parte do Livro, a Ordem da Guerra, conhecido também como A Guerra dos Filhos da Luz contra os Filhos das Trevas (1QM), e os Hinos de Ações de Graças, ou Hodayot (1 QH). Os rolos comprados pelo arcebispo sírio e publicados pelas Escolas Americanas de Pesquisas Orientais incluíam o Rolo de Isaías de São Marcos (lQI5a), que é um rolo do Livro inteiro, o Comentário de Habacuque (lQpHab), que contém o texto dos caps. 1 e 2 de Habacuque com um comentário, e o Manual de Disciplina (1QS), que contém as regras para os membros da comunidade de Cunrã. Subseqüentemente, estes rolos passaram a integrar o patrimônio do Estado de Israel, e são conservados num santuário especial da Universidade Hebraica em Jerusalém. Têm sido publicados em numerosas edições e recensões, e traduzidos para várias línguas, havendo grandes facilidades para quem deseja estudá-los em tradução ou em fac-símile.
Depois da descoberta destes rolos, que são de grande importância por ter sido quase unanimemente reconhecido que pertencem ao último século a.C. e ao primeiro século d.C., a região onde foram achados tem sido sujeitada a exploração sistemática. Numerosas cavernas têm sido achadas, e até agora, onze destas cavernas têm oferecido materiais da mesma época dos rolos originais. A maior parte destes rolos tem vindo da quarta caverna a ser explorada (Caverna Quatro, ou 4Q), e outros de grande significado foram achados nas cavernas 2Q, 5Q, e 5Q. Segundo as últimas notícias, as descobertas as mais significativas têm sido as da caverna 11Q.
Perto dos penhascos no planalto aluvial que domina as praias do Mar Morto há os alicerces de um prédio antigo e complexo, muitas vezes chamado de “mosteiro”. Este foi totalmente escavado durante várias estações, e isto tem desvendado informações importantes quanto à natureza, ao tamanho e à data da comunidade de Cunrã. As moedas achadas ali, junta­mente com outros vestígios, têm oferecido indicações para fixar a data da comunidade entre 140 a.C. e 67 d.C. Os membros eram quase todos masculinos, embora que a literatura regulamente as condições para a admissão de mulheres e crianças. O número de pessoas que viviam ali ao mesmo tempo seria aproximadamente entre 200 e 400. Uns 2 km ao sul, em Ain Fexca, foram descobertos remanescentes de outras construções, cuja natureza não tem sido exatamente esclarecida. A água doce da fonte provavelmente foi usada para o plantio, e para outras necessidades da comunidade.
Pela literatura que a seita deixou, sabemos que o povo de Cunrã era judaico, um grupo que se separara da corrente central do judaísmo que se situava em Jerusalém, e que até criticava e mostrava hostilidade aos sacerdotes de Jerusalém. O fato de adotarem o nome “Filhos de Zadoque”, levou alguns estudiosos a postular que os sectários de Cunrã fossem vinculados aos Zadoquitas ou Saduceus; outros estudiosos acreditam que seria mais correto identificá-los com os Essênios, uma terceira seita do judaísmo, descrita por Josefo e Fílon. Não é impossível que haja elementos de verdade em ambas es­tas teorias, e que tenha havido originalmente uma cisão na linhagem sacerdotal ou saducéia que aderiu ao movimento chamado dos hasideanos, os antepassados espirituais dos fariseus, seguida por outra separação posterior para formar uma seita fechada, separatista, parte da qual se situou em Cunrã. Devemos aguardar mais descobertas antes de procurar dar uma resposta final a este problemas complexos.A comunidade dedicava-se ao estudo da Bíblia. A vida da comunidade era ascética, na sua mor parte, e suas práticas incluíam o banho ritual, que às vezes tem sido chamado batismo. Alguns estudiosos têm entendido que esta prática foi a origem do batismo de João Batista. Uma comparação do batismo de João com o dos cunranianos mostra, no entanto, que as duas práticas eram inteiramente distintas entre si. Isto sendo o caso, mesmo se João tivesse pertencido a esta comunidade (o que não se comprovou, e talvez nunca venha a ser provado), este deve ter desenvolvido distinções importantes na sua própria doutrina e prática do batismo.Alguns estudiosos acreditam que haja elementos do zoroastrismo nos escritos de Cunrã, especificamente no que diz respeito ao dualismo e à angelologia. O problema é extremamente complexo. O dualismo do zoroastrismo desenvolveu-se consideravelmente na era cristã, e por este motivo é precário argumentar que as crenças do zoroastrismo conforme hoje as conhecemos representem as crenças de um ou dois séculos antes de Cristo.As descobertas de Cunrã são importantes para estudos bíblicos em geral. Não se pode tirar conclusões acerca do cânon, sendo que o grupo de Cunrã era cismático desde o princípio, e além disto, a ausência do Livro de Ester não implica necessariamente que rejeitava este Livro do Cânon. Quanto à matéria do texto do Antigo Testamento, os rolos do Mar Morto têm grande importância. O texto do Antigo Testamento Grego, ou Septuaginta, e as citações do Antigo Testamento no Novo, indicam que tenha havido outros textos além daquele que veio até nós (o Texto Massorético). O estudo dos rolos do Mar Morto revela claramente que, na época de serem produzidos, que seria mais ou menos na época da elaboração dos manuscritos bíblicos utilizados pelos autores do Novo Testamento, havia no mínimo três tipos de textos circulando: um pode ser chamado o precursor do Texto Massorético; o segundo estava nitidamente relacionado com aquele utilizado pelos tradutores da Septuaginta; o terceiro era diferente de ambos. As diferenças não são grandes, e em passagem alguma envolvem assuntos de doutrina; mas para um estudo textual pormenorizado é importante que nos libertemos do conceito que o Texto Massorético seja o único texto autêntico. A verdade é que as citações do Antigo Testamento que se acham no Novo, dão margem para se compreender que não foi o Texto Massorético aquele que mais se empregava pelos autores do Novo Testamento. Precisamos qualificar estas declarações pela explicação que a qualidade do texto é diferente entre os vários livros do Antigo Testamento, e que há muito mais uniformidade no texto do Pentateuco do que em algumas outras porções da Bíblia Hebraica. Os rolos do Mar Morto têm feito uma grande contribuição para, o estudo do texto dos Livros de Samuel.No que diz respeito ao Novo Testamento, os rolos do Mar Morto são igualmente de grande importância. Obviamente, não existe nenhum texto do Novo Testamento nas descobertas de Cunrã, sendo que o primeiro Livro do Novo Testamento foi escrito muito pouco tempo antes da destruição da comunidade de Cunrã. Além disto, não há motivo algum para que alguma escrita neotestamentária tenha sido trazido a Cunrã. Por outro lado, há certas referências e pressuposições no Novo Testamento, mormente na pregação de João Batista e Jesus Cristo, e nas escritas de Paulo e João, que podem ser colocados contra um pano de fundo reconhecidamente semelhante àquele descrito nos documentos de Cunrã. Por exemplo, o pano de fundo gnóstico de certas escritas paulinas que antigamente foi considerado como situação histórica do gnosticismo grego do segundo século d.C. — o que implicaria numa data posterior para a composição da Epístola aos Colossenses — reconhecese agora como sendo o gnosticismo judaico do primeiro século d.C. ou ainda antes da era cristã. Semelhantemente, o estilo do Quarto Evangelho revela-se como sendo palestiniano e não helenístico.Muita coisa tem sido escrito no assunto do relacionamento entre Jesus Cristo e a comunidade de Cunrã. Não há evidência nos documentos de Cunrâ que Jesus tenha sido membro da seita, e nada há no Novo Testamento que exija tal ponto de vista. Bem ao contrário, a maneira de Jesus encarar o mundo, e mais especialmente, Seu próprio povo, é diametricalmente oposta à cosmo visão de Cunrã, e podemos declarar, sem medo de errar, que Jesus não tenha sido membro daquele grupo em tempo algum. Pode ter sido alguns discípulos que tenham surgido de um passado deste tipo, mais especificamente os discípulos que antes seguiam a João Batista, mas há muita falta de provas neste assunto. A tentativa de comprovar que o Ensinador da Retidão de Cunrã tenha servido como padrão da descrição de Jesus que se registra nos Evangelhos não se corrobora pelo estudo dos rolos do Mar Morto. O Ensina-dor da Retidão era um jovem magnífico com grandes ideais, que morreu cedo demais; não há, no entretanto, nenhuma declaração clara que tenha sido condenado à morte, nem se pode inferir que tenha sido crucificado para então ressurgir dentre os mortos, e que os sectários de Cunrã tenham aguarda­do sua volta. A diferença entre Jesus e o Ensinador da Retidão destaca-se nitidamente em vários pormenores: o Ensinador da Retidão nunca foi considerado o Filho de Deus ou Deus Encarnado; sua morte não se revestiu de natureza sacrificial; a refeição sacramental (se realmente tenha sido isto mesmo), não era considerada como sendo uma lembrança da sua morte nem como uma promessa da sua volta, e nada tinha que ver com a remissão dos pecados. t óbvio que no caso de Jesus Cristo, todos estes aspectos são claramente declarados, não só urna vez, mas repetidas vezes no Novo Testamento, e, afinal, são doutrinas fundamentais sem as quais não poderia existir a fé cristã.
Posted by Armanda Cabral at 3:52 PM 0 comments




Rio Jordão


Segundo uma tradição, durante o cerco de Jerusalém, no ano 70 da nossa era, um general romano, Tito, condenou alguns escravos a morte.Submeteu-os a um breve julgamento e mandou encadeá-los todos juntos e jogá-los no mar, próximo ao monte de Moab. Os condenados, porém, não se afogaram. Repetidamente foram jogados ao mar e todas as vezes, como cortiças, vinham dar em terra. O inexplicável fenômeno impressionou Tito de tal modo que ele acabou por perdoar os pobres criminosos.
Foram os Estados Unidos que, no ano de 1848, tomaram a iniciativa, equipando uma expedição para estudar o enigmático mar Morto.
Os barcos foram lançados a água no lago Tiberíades. As medidas de altura tomadas por Lynch no lago de Genesaré produziram a primeira grande surpresa dessa viagem. A princípio, ele pensou tratar-se de um erro, mas a verificação confirmou o resultado. A superfície do lago de Genesaré, mundialmente conhecido pela história de Jesus, ficava duzentos e oito metros abaixo da superfície do Mediterrâneo! A que altura nasceria o Jordão, que atravessa esse lago?Dias depois, W. F. Lynch encontrava-se numa alta encosta do nevado Hermon. E entre os restos de colunas e portais desmantelados surgiu a pequena aldeia de Banias. Árabes conhecedores do terreno conduziram-no através de um espesso bosque de espirradeiras até uma cova meio encoberta por calhaus na íngreme encosta calcária do Hermon. Da escuridão dessa cova brotava com força, gorgolejando, um jorro de água límpida. Era uma das três nascentes do Jordão.
Os árabes chamam ao Jordão Cheri ’at el Kebire, "Grande Rio". Ali estivera o antigo Paníon, ali Herodes construíra um templo de Pã em honra de Augusto. Junto a gruta do Jordão, havia uns nichos em forma de concha. Ainda se pode ler ali claramente a inscrição grega: "Sacerdote de Pã". No tempo de Jesus Cristo, o deus grego dos pastores era venerado junto as fontes do Jordão. O deus com pés de cabra levava aos lábios a flauta, como se quisesse modular uma canção para acompanhar o Jordão em sua longa viagem. A cinco quilômetros daquela fonte, para os lados do oeste, ficava a bíblica Dan, o sítio mais setentrional do país, repetidamente citada na Bíblia. Também ali, na encosta sul do Hermon, brotava uma nascente de águas claras. Uma terceira fonte desce de um vale situado mais acima. O fundo do vale fica pouco acima de Dan, quinhentos metros acima do nível do mar. Onde o Jordão atinge o pequeno lago Huleh, vinte quilômetros ao sul, o leito já baixou até dois metros acima do nível do mar. Depois o rio se precipita abruptamente por um espaço de pouco mais de dez quilômetros até o lago de Genesaré. Em seu curso, das vertentes do Hermon até esse local, num trecho de quarenta quilômetros apenas, desceu setecentos metros.Do lago Tiberíades, os membros da expedição americana desceram o Jordão em dois barcos de metal, percorrendo seus intermináveis meandros.Gradualmente a vegetação ia-se tornando mais esparsa. Só nas margens do rio ainda havia moitas espessas. Sob o sol tropical, surgiu a direita um oásis - Jericó. Pouco depois chegaram ao seu destino. Entre penhascos talhados quase a prumo, estendia-se a sua frente a vasta superfície do mar Morto.A primeira coisa que fizeram foi tomar um banho. Os homens que saltaram na água tiveram a impressão de que vestiam salva-vidas, tal a maneira como foram impelidos para cima. As antigas narrativas não haviam, pois, mentido. Naquele mar, ninguém podia se afogar. O sol escaldante secou a pele dos homens quase instantaneamente. A fina camada de sal que a água deixara em seus corpos fazia-os parecerem completamente brancos. Ali não havia moluscos, peixes, algas, corais... naquele mar jamais vogara um barco de pesca.Não havia frutos do mar nem frutos da terra. Suas margens eram desoladas e nuas. As costas do mar e as faces dos rochedos lá no alto, cobertas de enormes camadas de sal endurecido, brilhavam ao sol como diamantes. A atmosfera estava saturada de cheiros acres e penetrantes. Cheirava a petróleo e enxofre. Sobre as ondas flutuavam manchas oleosas de asfalto - a que a Bíblia chama betume (Gn 14.10). Nem mesmo o azul brilhante do céu ou o sol forte conseguia dar vida a paisagem hostil.Os barcos americanos cruzaram o mar Morto durante vinte e dois dias. Tomavam amostras de água, analisavam-nas, e a sonda era lançada ao fundo continuamente. Verificaram que a foz do Jordão, no Mar Morto, ficava trezentos e noventa e três metros abaixo do nível do mar! Se houvesse uma comunicação com o Mediterrâneo, o Jordão e o lago de Genesaré, distante cento e cinco quilômetros, desapareceriam. Um imenso mar interior se estenderia até as margens do lago Huleh!
Através do relatório da expedição, o mundo ficou sabendo pela primeira vez de dois factos espantosos. O mar Morto atinge quatrocentos metros de profundidade; o fundo do mar fica, portanto, cerca de oitocentos metros abaixo da superfície do Mediterraneo.A água do mar Morto contém cerca de trinta por cento de elementos componentes sólidos, a maior parte constituída por cloreto de sódio, isto é, de sal de cozinha. Os oceanos contêm apenas de quatro a seis por cento de sal. Nessa bacia de setenta e seis quilômetros de comprimento por dezassete de largura desembocam o Jordão e muitos rios menores. Sob o sol escaldante, evaporam-se, dia após dia, oito milhões de metros cúbicos de água de sua superfície. As matérias químicas que esses rios conduzem permanecem nessa bacia de mil duzentos e noventa e dois quilômetros quadrados de superfície.
O vale do Jordão é apenas parte de uma fenda imensa na crosta da nossa Terra. Hoje já se conhece sua extensão exacta. Começa muitas centenas de quilômetros ao norte da fronteira da Palestina nas faldas da montanha do Tauro, na Ásia Menor. Ao sul, vai desde a costa sul do mar Morto, atravessa o deserto de Arábia até o golfo de Ácaba e só vai terminar do outro lado do mar Vermelho, na África. Em muitos lugares dessa imensa depressão há vestígios de antiga actividade vulcânica. Nos montes da Galiléia, nos planaltos da Jordânia oriental, nas margens do afluente Jabbok, no golfo de Ácaba, há basalto negro e lava.Será que Sodoma e Gomorra afundaram quando (acompanhado por terremotos e erupções vulcânicas) um pedaço do chão do vale ruiu um pouco mais? E o mar Morto se alongou naquela época em direção ao sul?A ruptura da terra liberou as forças vulcânicas contidas há muito tempo nas profundezas da greta. Na parte superior do vale do Jordão, junto a Basan, erguem-se ainda hoje as crateras de vulcões extintos, e sobre o terreno calcário há grandes campos de lava e enormes camadas de basalto.Desde tempos imemoriais, os territórios ao redor dessa depressão são sujeitos a terramotos. Repetidamente temos notícia deles, e a própria Bíblia fala a respeito. Como para confirmar a teoria geológica do desaparecimento de Sodoma e Gomorra, escreve textualmente o sacerdote fenício Sanchuniathon em sua História antiga redescoberta: "O vale de Sidim" afundou e se transformou em mar, sempre fumegante e sem peixe, exemplo de vingança e morte para os ímpios".A destruição não foi causada por vulcões.Antes de mais nada, convém frisar que está fora de qualquer cogitação a hipótese segundo a qual a depressão do rio Jordão teria se originado somente há uns quatro milênios, pois, conforme as pesquisas mais recentes, a origem dessa depressão remontaria ao Oligoceno (Terciário, entre o Eoceno e o Mioceno).Portanto, neste caso é preciso calcular não em milhares, mas sim milhões de anos. Embora, em tempos posteriores, fosse comprovada uma actividade vulcânica mais intensa, relacionada com a abertura da depressão do rio Jordão, mesmo assim chegamos a parar no Plistoceno, encerrado há uns dez mil anos, e ficamos longe do chamado "período dos patriarcas", convencionalmente datado no terceiro ou até segundo milênio antes de Cristo. Ademais, justamente ao sul da península de Lisan, onde supostamente teria acontecido o ocaso de Sodoma e Gomorra, perdem-se todos os vestígios de erupções vulcânicas. Em outras palavras, naquela área as condições geológicas não permitem comprovar uma catástrofe ocorrida em época geológica bem recente, que destruiu cidades e foi acompanhada por violentas erupções vulcânicas.
Quanto mais nos aproximamos da extremidade sul do mar Morto, mais deserta e selvagem se torna a região e mais sinistro e impressionante é o cenário das montanhas. Um eterno silêncio paira nos montes, cujas vertentes escalavradas pendem a prumo sobre o mar, onde se reflete sua brancura cristalina. A inaudita catástrofe deixou seu selo indelével de tristeza e desolação naquelas paragens. Raramente passa por algum daqueles vales fundos e escarpados um grupo de nómadas a caminho do interior.Onde terminam as águas pesadas e oleosas, ao sul, termina também, bruscamente, o impressionante cenário de rochedos, dando lugar a uma região pantanosa de água salgada. O solo avermelhado é riscado por inúmeros ribeiros, perigosos para o viajante incauto. Essa baixada estende-se a grande distância para o sul até o deserto vale de Araba, que chega até o mar Vermelho.A oeste da costa sul, na direção do país do meio-dia bíblico, o Neguev, estende-se um espinhaço de quarenta e cinco metros de altura e quinze quilômetros de comprimento na direção norte-sul. O sol, batendo nas suas encostas, produz reflexos de diamante. É um estranho fenômeno da natureza. A maior parte dessa pequena serra é constituída de puros cristais de sal. Os árabes chamam-Ihe Djebel Usdum, nome antiquíssimo em que está contida a palavra "Sodoma". A chuva desloca numerosos blocos de sal que rolam até a base. Esses blocos tem formas caprichosas e alguns deles são eretos como estátuas. As vezes em seus contornos a gente pensa distinguir, de repente, formas humanas.As estranhas estátuas de sal trazem logo a lembrança a história da Bíblia sobre a mulher de Ló, que foi transformada em estátua de sal. E tudo o que está próximo ao mar salgado ainda hoje se cobre em pouco tempo com uma crosta de sal.Foi apenas recentemente que a escavação do Tell el-Mardikh, na Síria setentrional (ao sul de Alepo), conduzida pelo cientista italiano Giovanni Pettinato, causou sensação. Ali, Pettinato achou Ebla, uma cidade do terceiro milênio antes da era cristã.Primeiro, em tempos pré-históricos, existia ali uma civilização avançada, com uma estrutura social altamente diferenciada para a época; segundo, Ebla possuía um rico arquivo de tabuinhas de barro. Textos de Ebla contem nomes que nos são familiares pela leitura da Bíblia e, assim, aparecem no terceiro milénio antes de Cristo!Ali são mencionados tanto o nome de Abraão quanto os nomes das cidades pecadoras de Sodoma e Gomorra, aniquiladas pelo fogo, de Adma e Zeboim, no mar Morto.. O que se deve pensar do facto de os nomes Sodoma e Gomorra constarem de um arquivo encontrado na Síria, no terceiro milénio antes de Cristo?
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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Evidências da história


ARQUEOLOGIA BÍBLICA

A Natureza e o Propósito da Arqueologia Bíblica.A palavra arqueologia vem de duas palavras gregas, archaios e logos, que significam literalmente “um estudo das coisas antigas”. No entanto, o termo se aplica, hoje, ao estudo de materiais escavados pertencentes a eras anteriores. A arqueologia bíblica pode ser definida como um exame de artefatos antigos outrora perdidos e hoje recuperados e que se relacionam ao estudo das Escrituras e à caracterização da vida nos tempos bíblicos.A arqueologia é basicamente uma ciência. O conhecimento neste campo se obtém pela observação e estudo sistemáticos, e os fatos descobertos são avaliados e classificados num conjunto organizado de informações. A arqueologia é também uma ciência composta, pois busca auxílio em muitas outras ciências, tais como a química, a antropologia e a zoologia.Naturalmente, alguns objetos de investigação arqueológica (tais como obeliscos, tempos egípcios e o Partenon em Atenas) jamais foram “perdidos”, mas talvez algum conhecimento de sua forma e/ou propósito originais, bem como o significado de inscrições neles encontradas, tenha se perdido.
Funções da Arqueologia BíblicaA arqueologia auxilia-nos a compreender a Bíblia. Ela revela como era a vida nos tempos bíblicos, o que passagens obscuras da Bíblia realmente significam, e como as narrativas históricas e os contextos bíblicos devem ser entendidos.A Arqueoloia também ajuda a confirmar a exatidão de textos bíblicos e o conteúdo das Escrituras. Ela tem mostrado a falsidade de algumas teorias de interpretação da Bíblia. Tem auxiliado a estabelecer a exatidão dos originais gregos e hebraicos e a demonstrar que o texto bíblico foi transmitido com um alto grau de exatidão. Tem confirmado também a exatidão de muitas passagens das Escrituras, como, por exemplo, afirmações sobre numerosos reis e toda a narrativa dos patriarcas.Não se deve ser dogmático, todavia, em declarações sobre as confirmações da arqueologia, pois ela também cria vários problemas para o estudante da Bíblia. Por exemplo: relatos recuperados na Babilônia e na Suméria descrevendo a criação e o dilúvio de modo notavelmente semelhante ao relato bíblico deixaram perplexos os eruditos bíblicos. Há ainda o problema de interpretar o relacionamento entre os textos recuperados em Ras Shamra (uma localidade na Síria) e o Código Mosaico. Pode-se, todavia, confiantemente crer que respostas a tais problemas virão com o tempo. Até o presente não houve um caso sequer em que a arqueologia tenha demonstrado definitiva e conclusivamente que a Bíblia estivesse errada!
Por Que Antigas Cidades e Civilizações DesapareceramSabemos que muitas civilizações e cidades antigas desapareceram como resultado do julgamento de Deus. A Bíblia está repleta de tais indicações. Algumas explicações naturais, todavia, também devem ser brevemente observadas.As cidades eram geralmente construídas em lugares de fácil defesa, onde houvesse boa quantidade de água e próximo a rotas comerciais importantes. Tais lugares eram extremamente raros no Oriente Médio antigo. Assim, se alguma catástrofe produzisse a destruição de uma cidade, a tendência era reconstruir na mesma localidade. Uma cidade podia ser amplamente destruída por um terremoto ou por uma invasão. Fome ou pestes podiam despovoar completamente uma cidade ou território. Nesta última circunstância, os habitantes poderiam concluir que os deuses haviam lançado sobre o local uma maldição, ficando assim temerosos de voltar. Os locais de cidades abandonadas reduziam-se rapidamente a ruínas. E quando os antigos habitantes voltavam, ou novos moradores chegavam à região, o hábito normal era simplesmente aplainar as ruínas e construir uma nova cidade. Formava-se, assim, pequenos morros ou taludes, chamados de tell, com muitas camadas superpostas de habitação. Às vezes, o suprimento de água se esgotava, rios mudavam de curso, vias comerciais eram redirecionadas ou os ventos da política sopravam noutra direção - o que resultava no permanente abandono de um local.
A Escavação de um Sítio ArqueológicoO arqueólogo bíblico pode ser dedicar à escavação de um sítio arqueológico por várias razões. Se o talude que ele for estudar reconhecidamente cobrir uma localidade bíblica, ele provavelmente procurará descobrir as camadas de ocupações relevantes à narrativa bíblica. Ele pode estar procurando uma cidade que se sabe ter existido mas ainda não foi positivamente identificada. Talvez procure resolver dúvidas relacionadas à proposta identificação de um sítio arqueológico. Possivelmente estará procurando informações concernentes a personagens ou fatos da história bíblica que ajudarão a esclarecer a narrativa bíblica.Uma vez que o escavador tenha escolhido o local de sua busca, e tenha feito os acordos necessários (incluindo permissões governamentais, financiamento, equipamento e pessoal), ele estará pronto para começar a operação. Uma exploração cuidadosa da superfície é normalmente realizada em primeiro lugar, visando saber o que for possível através de pedaços de cerâmica ou outros artefatos nela encontrados, verificar se certa configuração de solo denota a presença dos resto de alguma edificação, ou descobrir algo da história daquele local. Faz-se, sem seguida, uma mapa do contorno do talude e escolhe-se o setor (ou setores) a ser (em) escavado (s) durante uma sessão de escavações. Esses setores são geralmente divididos em subsetores de um metro quadrado para facilitar a rotulação das descobertas.
A Arqueologia e o Texto da BíbliaEmbora a maioria das pessoas pense em grandes monumentos e peças de museu e em grandes feitos de reis antigos quando se faz menção da arqueologia bíblica, cresce o conhecimento de que inscrições e manuscritos também têm uma importante contribuição ao estudo da Bíblia. Embora no passado a maior parte do trabalho arqueológico estivesse voltada para a história bíblica, hoje ela se volta crescentemente para o texto da Bíblia.O estudo intensivo de mais de 3.000 manuscritos do Novo Testamento (N.T.) grego, datados do segundo século da era cristão em diante, tem demonstrado que o N.T. foi notavelmente bem preservado em sua transmissão desde o terceiro século até agora. Nem uma doutrina foi pervertida. Westcott e Hort concluíram que apenas uma palavra em cada mil do N.T. em grego possui uma dúvida quanto à sua genuinidade.Uma coisa é provar que o texto do N.T. foi notavelmente preservado a partir do segundo e terceiro séculos; coisa bem diferente é demonstrar que os evangelhos, por exemplo, não evoluíram até sua forma presente ao longo dos primeiros séculos da era cristã, ou que Cristo não foi gradativamente divinizado pela lenda cristã. Na virada do século XX uma nova ciência surgiu e ajudou a provar que nem os Evangelhos e nem a visão cristã de Cristo sofreram evoluções até chegarem à sua forma atual. B. P. Grenfell e A. S. Hunt realizaram escavações no distrito de Fayun, no Egito (1896-1906), e descobriram grandes quantidades de papiros, dando início à ciência da papirologia.Os papiros, escritos numa espécie de papel grosseiro feito com as fibras de juncos do Egito, incluíam uma grande variedade de tópicos apresentados em várias línguas. O número de fragmentos de manuscritos que contêm porções do N.T. chega hoje a 77 papiros. Esses fragmentos ajudam a confirmar o texto feral encontrado nos manuscritos maiores, feitos de pergaminho, datados do quarto século em diante, ajudando assim a forma uma ponte mais confiável entre os manuscritos mais recentes e os originais.
O impacto da papirologia sobre os estudos bíblicos foi fenomenal. Muitos desses papiros datam dos primeiros três séculos da era cristã. Assim, é possível estabelecer o desenvolvimento da gramática nesse período, e, com base no argumento da gramática histórica, datar a composição dos livros do N.T. no primeiro século da era cristã. Na verdade, um fragmento do Evangelho de João encontrado no Egito pode ser paleograficamente datado de aproximadamente 125 AD! Descontado um certo tempo para o livro entrar em circulação, deve-se atribuir ao quarto Evangelho uma data próxima do fim do primeiro século - é exatamente isso que a tradição cristã conservadora tem atribuído a ele. Ninguém duvida que os outros três Evangelhos são um pouco anteriores ao de João. Se os livros do N.T. foram produzidos durante o primeiro século, foram escrito bem próximo dos eventos que registram e não houve tempo de ocorrer qualquer desenvolvimento evolutivo.
Todavia, a contribuição dessa massa de papiros de todo tipo não pára aí. Eles demonstram que o grego do N.T. não era um tipo de linguagem inventada pelos seus autores, como se pensava antes. Ao contrário, era, de modo geral, a língua do povo dos primeiros séculos da era cristã. Menos de 50 palavras em todo o N.T. foram cunhadas pelo apóstolos. Além disso, os papiros demonstraram que a gramática do N.T. grego era de boa qualidade, se julgada pelos padrões gramaticais do primeiro século, não pelos do período clássico da língua grega. Além do mais, os papiros gregos não-bíblicos ajudaram a esclarecer o significado de palavras bíblicas cujas compreensão ainda era duvidosa, e lançaram nova luz sobre outras que já eram bem entendidas.
Até recentemente, o manuscrito hebraico do Antigo Testamento (A.T.) de tamanho considerável mais antigo era datado aproximadamente do ano 900 da era cristã, e o A.T. completo era cerca de um século mais recente. Então, no outono de 1948, os mundos religioso e acadêmico foram sacudidos com o anúncio de que um antigo manuscrito de Isaías fora encontrado numa caverna próxima à extremidade noroeste do mar Morto. Desde então um total de 11 cavernas da região têm cedido ao mundo os seus tesouros de rolos e fragmentos. Dezenas de milhares de fragmentos de couro e alguns de papiro forma ali recuperado. Embora a maior parte do material seja extrabíblico, cerva de cem manuscritos (em sua maioria parciais) contêm porções das Escrituras. Até aqui, todos os livros do A.T., exceto Éster, estão representados nas descobertas. Como se poderia esperar, fragmentos dos livros mais freqüentemente citados no N.T. também são mais comuns em Qumran (o local das descobertas). Esses livros são Deuteronômio, Isaías e Salmos. Os rolos de livros bíblicos que ficaram melhor preservados e têm maior extensão são dois de Isaías, um de Salmos e um de Levítico.
O significado dos Manuscritos do Mar Morto é tremendo. Eles fizeram recuar em mais de mil anos a história do texto do A.T. (depois de muito debate, a data dos manuscritos de Qumran foi estabelecida como os primeiros séculos AC e AD). Eles oferecem abundante material crítico para pesquisa no A.T., comparável ao de que já dispunham há muito tempo os estudiosos do N.T. Além disso, os Manuscritos do Mar Morto oferecem um referencial mais adequado para o N.T., demonstrando, por exemplo, que o Evangelho de João foi escrito dentro de um contexto essencialmente judaico, e não grego, como era freqüentemente postulado pelos estudiosos. E ainda, ajudaram a confirma a exatidão do texto do A.T. A Septuaginta, comprovaram os Manuscritos do Mar Morto, é bem mais exata do que comumente se pensa. Por fim, os rolos de Qumran nos ofereceram novo material para auxiliar na determinação do sentido de certas palavras hebraicas.
Obs.:A.T. = Antigo TestamentoN.T. = Novo TestamentoFonte: “ A Bíblia Anotada”